Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Outubro 29 2009

 

A minha vida profissional obriga-me a constantes deslocações por algumas zonas do País, e tenho reparado que a prostituição na beira de estradas tem aumentado assustadoramente.
São cada vez mais jovens a recorrer a este tipo de vida, resultado, ao que penso, do desemprego, falta de meios de subsistência e descontrole na emigração.
Este meu trabalho não pretende, de forma alguma, acusar, humilhar ou rebaixar estas mulheres, antes pelo contrário, considero-as, também, vítimas da situação a que o País chegou.
 
 
 
Estradas de má vida
 
Por estradas onde passo, bem ligeiro,
Entre moitas e pinhais que se destacam;
Vê-se jovens se matando por dinheiro
E frustrados cidadãos que vícios matam
 
Seminua se passeia a humilhação
Pela fímbria do extenso matagal…
E o sexo sem prazer nem emoção
Se disfarça numa cena teatral
 
Vê-se as marcas da desgraça bem vincadas
Nos despojos desses corpos que se “impigem”…
Nos seus olhos o sombrio das porradas
Que os “ossos do ofício” lhes infligem
 
A miséria e a doença marcam pontos
Nesse jogo onde a vida é a roleta;
E o tempo, que é juiz, faz os descontos
Tira tempo, ao tempo resto, d’ampulheta     
 
E reparo serem jovens raparigas
As que hoje se mais vêem nessa lida…
Flores sem viço que se escondem entre ortigas
Definhando pelas bermas da má vida
 
Não sou falso moralista nem rebaixo
A mulher que, por preciso, o corpo venda…
Mas condeno o chulo reles, vil e baixo
Que da pobre prostituta tira renda
 
As imagens que vos deixo, assim compostas
Sem controlo, como praga proliferam…
E na falta de projectos, as respostas
São as mesmas que outros, antes, já nos deram
 
São prostitutas, eu sei, muitos dirão
Que se lá estão é por vício ou por prazer;
Creio, porém, não seja essa a mor razão
Outra será, bem mais grave…é meu parecer!
 
Me constrange ver ao quanto a fome obriga
O que faz o desemprego ao ser humano…
E também, aqui confesso, o que me intriga
É um campo social tão desumano
 
Dos governos… as incúrias sucessivas
Legislando sem critérios nem matriz…
Deram azo a constantes e expressivas
Discrepâncias sociais neste país
 
Abgalvão
 
publicado por palavrasaladas às 12:12
editado por mariaivonevairinho às 12:34

Outubro 27 2009

Como é bom relembrar,

Os velhos tempos de outrora.

De um tempo que passou

O tempo de nossa aurora !

 

Esse tempo que passou,

Recordação muito linda.

Dos amigos que ficaram

E no coração logo entraram !

 

Só quero daqueles tempos,

Nunca mais me esquecer.

Tenho sempre na lembrança

Os vossos nomes a aquecer !!!

 

Os novos amigos eu já tenho,

E o calor deles sempre obtenho.

Amigos para sempre o são

E sempre levá-los ao coração !

 

Nas lindas tardes fagueiras,

Como as chamas das fogueiras.

Cada novo amigo que ganho

São forças que vem de antanho !

 

Eu só quero quando ao morrer,

E nas bordas do eterno infinito

Olhar para o céu e poder dizer

Que todo amigo foi bendito !

  

ADRIANO AUGUSTO DA COSTA FILHO

 

publicado por appoetas às 06:44

Outubro 27 2009

Lágrimas

 

Porque choram os meus olhos?

São recordações que desfilam

por entre as lágrimas que caem.

 

Não tenham pena,

não lamentem as minhas lágrimas,

porque elas são apenas palavras

que escrevem a minha vida

 

Clotilde Moreira

publicado por appoetas às 06:40
editado por mariaivonevairinho em 08/10/2011 às 19:05

Outubro 27 2009

Cansei, não posso mais
Tudo vai chegando ao fim
Na minha vida só há vendavais
Varrendo as flores de meu jardim

 

Tenho o cabelo todo branquinho
Está cheio de rugas meu rosto
Há pedragulhos no meu caminho
Na minha vida, já é Sol Posto

 

Joaquim Augusto Rosa(sócio n.º 439)

publicado por appoetas às 06:35

Outubro 26 2009

 

Versos lindos te escrevi
Com a pena do meu amor
Mas, no fim, o que senti
Foi um amargo de dor.
 
Vi-te rosada e branca
Vi-te alegre e carrancuda
Vi-te directa e franca
Vi-te a falar e bem muda.
 
No meio da alegria
Senti sempre a tua luz
Hoje entrei em agonia
Pois em ti nada seduz.
 
Vi-te serena adorada
Vi-te calma, encantada,
Vi-te nervosa, agitada,
Em vendaval transformada.
 
Sinto-me na escuridão
Sem vontade de sonhar
Envolto na solidão
Só me apetece chorar…
 
Vi-te bela e muito feia
Vi-te clara e escura
Vi-te como uma sereia
Vi-te doce, como fartura…
 
2009/05/08
publicado por milualves às 15:53

Outubro 26 2009

 

Poetas somos…das madrugadas,
Aqueles…dos contos de fadas
Que falam de alegria…e de dor.
Insones…nas noites lá fora
Declamando versos de outrora
Que só sabem falar de amor.
 
Poetas somos…das madrugadas,
De suas liras já desprezadas
E dos tempos rudes de então;
Nós somos os bardos carentes
E dos sonhos inconsequentes
Que se aninham no coração
 
Poetas somos…das madrugadas
Com as almas desventuradas
E que a vida nos faz sofrer;
Da chama somos o alimento
E dos versos…o sofrimento
E a saudade nos faz viver.
 
Poeta somos…das madrugadas
E que vivem pelas calçadas
Sem saber qual rumo tomar,
Amantes das noites mais frias,
Das inspirações que vazias
Sequer nos convidam a amar.
publicado por milualves às 15:35
editado por mariaivonevairinho às 19:38

Outubro 26 2009

 

Há uma estrela no Além
Duma beleza sem fim
É a minha Santa Mãe
Que brilha, só para mim
 
Hoje Mãe, é a saudade
Que me toca o coração
Numa total dimensão
Como é dura a realidade
Este aperto que me invade
Amor materno, é um bem
Que não se compra a ninguém
Procuro-te sempre em vão
Mas, diz-me o coração
Há uma estrela no Além
 
Entre tantas, não te vejo
Mas sinto que tu, lá estás
No Paraíso e em Paz
São alminhas em cortejo
Ver-te, era meu desejo
Minha jóia de marfim
Minha lâmpada de Aladim
Sofredora dos meus prantos
Encanto dos meus encantos
Duma beleza sem fim
 
Ainda trago no rosto
O calor dos teus beijinhos
Teus afectos, os carinhos
Que me davas a teu gosto
Tu eras o meu encosto
Quem tem uma Mãe tudo tem
Queria-te mais que a ninguém
Guardo uma foto velhinha
Qual princesa, qual rainha
É a minha Santa Mãe
 
Os abraços que me deste
Não têm conta nem medida
Hoje, estou agradecida
Por tudo que me fizeste
O que por mim, tu sofreste
Tudo na vida tem fim
Tu Mãe, foste o meu jardim
Meu roseiral em flor
E ainda tens o esplendor
Que brilha, só para mim…
publicado por milualves às 14:49

Outubro 26 2009

 

Trago no peito o reflexo da saudade
Trago nos olhos, a luz baça da candeia
Trago no rosto o cartão de identidade
Desilusões no coração… uma mão cheia!
 
Trago nos pés, quantas léguas percorridas?
Trago nos ombros, uma cruz que Deus me deu
No pensamento, juntas, trago as nossas vidas
Que um dia nós vivemos, tu e eu…
 
Trago na alma, os mil sóis da minha infância
Trago o passado, retratado com fragrância
E no ouvido, a tua voz em profusão.
 
Trago em meus braços, quantas lutas já vencidas?
A vitória de ser mãe…de duas vidas!
Por isso, trago uma lua em cada mão!
 
1998/03/08
publicado por milualves às 12:03

Outubro 25 2009


A chuva quando cai tem a beleza
Das lágrimas que correm por amor;
É choro, é emoção da Natureza,
Das nuvens, suas taças de licor


Há sonhos que nos traz quando se ouve
Seu som lá no telhado ou na vidraça;
Beleza há na toada que se louve
Qual música que toca e nos enlaça


Não há nenhum poema que descreva
As gotas numa pétala de flor;
E cada, é uma lágrima que leva
À terra, quando cai, o seu amor


A alma se embebeda, se extasia
Ao ver chover nos campos... no caminho...
Embriaguês que chega por magia
Como se em vez de água fosse vinho


A chuva... obra do Céu, da Natureza,
Tem música nas gotas, uma a uma...
Balada que nos dá nessa beleza
Dum dia que nos surge em tons de bruma.


Joaquim Sustelo
(em CAMINHOS DA VIDA)

publicado por tardesdeoutono às 23:40

Outubro 25 2009

Não sei quem sou

E não sei onde me deixei
Vim do ventre da minha mãe
Com os genes dos meus pais
Olho para trás
Para a vida que vivi
Para as vicissitudes que sofri
Para as minhas recordações
Para as experiências que passei
E sinto-me perdida
Sem saber quem sou
E nem onde fiquei!
 
2007-11-21
publicado por milualves às 16:37

Este blogue está aberto aos co-autores e Poetas Amigos de Maria Ivone Vairinho
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